Quintais de Diamantina
Este trabalho nasceu de uma memória de infância. Um quintal de uma casa em Diamantina, onde passei várias férias dos meus 8 aos 14 anos e onde morava a família de uma tia do meu pai, uma figura conhecida e respeitada na região por sua vida dedicada à seresta. Uma das lembranças que mais me marcou nesta fase da vida e que ficou guardada como uma imagem foi o quintal desta casa. O piso era de terra batida, havia pés de frutas, um galinheiro, alguns animais domésticos e um monte de outras coisas que eu nunca havia visto em quintais de Belo Horizonte. Além disso, podia-se avistar vários outros quintais ao redor e os fundos das casas, cada um com seus "puxados", janelas e portas de tamanhos diferentes, objetos abandonados, roupas penduradas, etc. Era um outro mundo nunca visto das ruas, com suas casas unidas pelas fachadas e suas portas e janelas muito semelhantes umas às outras, sempre bem pintadas.
Decidi explorar o contraste entre estas duas realidades e a intimidade de um povo marcado pela desconfiança, depois de vários séculos de riquezas levadas dos seus arredores. Mas me deparei com outra situação: a de uma cidade histórica que se tornou polo turístico e que tem sua ocupação urbana sendo radicalmente transformada para receber mais visitantes ou novos moradores. Nesta nova realidade, os quintais são abandonados por estes recém chegados com costumes mais urbanos ou encolhidos pelos "puxados" – na maioria das vezes ilegais – que visam a melhores retornos financeiros.
Procurei, portanto, documentar a transformação destes espaços, antes que desaparecessem por completo.