Connor
Em junho de 2008 eu fotografava para o relatório anual do Braille Institute num parque em Los Angeles. Haviam várias crianças com deficiências visuais que foram trazidas para serem fotografadas. Uma delas – um menino de 13 anos chamado Connor – tentava insistentemente me falar sobre todas as suas habilidades: fazia parte de um grupo de skatistas, de uma banda de rock, era faixa laranja em karatê e Tae-Kwon-Do, fazia sapateado e era “comediante”. Achei que ele poderia sofrer de algum disturbio mental, como tantas outras pessoas que eu havia conhecido com deficiências visuais. Parecia impressionante, pois ele era quase totalmente cego, mas eu estava muito ocupado e não podia dar a atenção devida.
Juntamos várias crianças para uma foto de grupo – o que eu geralmente não gosto de fazer, pela dificuldade de captar expressões espontâneas – e fiz um comentário engraçadinho para deixar as crianças mais relaxadas. Neste momento, o menino Connor respondeu meu comentário e começou um monologo que durou uns cinco minutos e simplesmente deixou todos nós, inclusive os adultos envolvidos na coordenação da seção fotográfica, dando gargalhadas. Ainda mais impressionante era a linguagem tão sofisticada usada por ele.
No final da seção eu quis saber como ele havia decorado tudo aquilo tão bem, mas sua resposta foi imediata: “Não tinha nada decorado, meu estilo de comédia é o improviso”. Obviamente fiquei alguns instantes sem saber o que dizer e então perguntei: “mas como é que você tem tantos talentos diferentes?”. E sua resposta me deixou ainda mais impressionado. Ele me explicou que tinha nascido normal, mas aos cinco anos começou a perder a visão e aos sete já estava quase totalmente cego. E nos anos que se seguiram passou a ser o alvo constante de piadas e gozações de seus amigos na escola. Um dia, cansado de se sentir “uma merda” – sim, foi a expressão que ele usou – decidiu que a partir daquele momento iria se dedicar a tudo que gostava de fazer com tanta intensidade, que ele se tornaria uma inspiração para tantas crianças deficientes que se sentem inválidas.
Naquele momento eu decidi que tinha que fazer algo para retratar a história daquele menino. Entrei em contato com sua família e pedi autorização para começar a acompanhá-lo esporadicamente em suas atividades de rotina. As fotos mostradas aqui foram feitas em um instituto de ajuda à crianças deficientes, fundado por Stevie Wonder, onde Connor treina sapateado, canto e guitarra.